Algumas novas perspectivas sobre o borderline


  En: Revista Brasileira de Psicanálise. -- Vol. 18, no. 1 (1984). --
Säo Paulo :

ABP

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  A síndrome borderline teve involuntariamente urna longa história, tanto no cenário da Psicanálise como no da Psiquiatria. A definiçäo neurótico que abarcou, por tanto tempo, a teoria e técnica psicanalíticas, baseava-se, em grande parte, em casos que hoje seriam chamados de borderlines. O termo borderline surgiu para designar fenômenos que näo eram nem completamente neuróticos nem psicóticos, mas devido à propensäo histórica, dos psiquiatras e psicanalistas, a considerarem a esquizofrenia como a forma principal de psicose, a síndrome borderline originalmente adquiriu um molde esquizofrênico. Hoje em dia, veríamos a síndrome borderline como tendo ligaçäo mais íntima com os distúrbios afetivos, particularmente a ciclotimia. É também de grande importância determinar a distinçäo entre personalidade borderline e estado borderline. O conceito do espectro limítrofe e-ou organizaçäo borderline näo säo outra coisa senäo variantes das especificações da primeira. Proponho ser a síndrorne borderline uma doença de regulaçäo do self de estados de deficiências psíquicas e psicossomáticas dos aspectos interpessoais, neuro-perceptivo-cognitivo e outros do paciente borderline que se combinam para fazê-lo sentir uma vergonha patológica, um grande embaraço por se sentir objeto constante de observaçäo e a experiência de näo ter base psíquica. O tratamento do self destes males consiste na vasta sintomatologia da síndrome borderline que atua como uma defesa maníaca contra eles ou um sistema de técnicas reguladoras do self para evitar estes buracos. Proponho que a gênese da síndrome borderline deva ser considerada dentro das perspectivas hereditária, congênita e alimentar. O teorema de duplo registro permite a consideraçäo de todas as fases de desenvolvimento, quais sejam, a autista, a simbiótica, e as quatro subfases de separaçäo-individuaçäo, e todas elas, creio, existem, em um grau ou outro, desde o início da vida. Além do mais, proponho que a síndrome borderline se inicia como resultado de uma falha em chegar a uma resoluçäo exitosa da neurose infantil elou possa ser devida ao desenvolvimento independente de uma psicose infantil secundária para uma reaçäo infantil catastrófica-depressäo infantil. Uma das principais características da sintomatologia do "borderline" é a presença de clivagens psíquicas, que podem ser ou polarizadas e em partes, ou interpenetrativas e em forma de conluio parasítico. Em última análise, a síndrome borderline representa uma falha na ligaçäo ou vínculo entre a criança e a mäe, cujas raízes podem ser encontradas na hereditariedade -depressäo endógena, etc. ou no ambiente uterino e-ou no sistema de suporte do self-objeto para a criança que inclui, näo somente sua mäe, mas também o sistema de suporte do self-objeto da mäe. Considerações para o tratamento de borderlines devem incluir näo somente a possibilidade de eventualmente ter um outro terapeuta que possa ocasionalmente ver o paciente em caráter consultivo, para avaliaçäo psicofarmacológica e dificuldades na conduta diária, mas também variedades de modelos técnicos psicanalíticos. Entre estes encontram-se a técnica clássica atualizada, que é baseada nos estágios precoces de desenvolvimento de Maffier, especialmente como foi modificada por Kernberg; a técnica da Psicologia do Self, que advoga a abordagem estritamente empática. O teorema de duplo registro permite o uso de interpretações de experiência próxima e experiência distante, sendo estas últimas freqüentamente necessárias para fazer face a resistências específicas
  ISBN: 0486-641X

  1. 
BORDERLINE
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Grotstein, James S
Algumas novas perspectivas sobre o borderline
En: Revista Brasileira de Psicanálise. -- Vol. 18, no. 1 (1984). -- Säo Paulo : ABP, [s.f.]

A síndrome borderline teve involuntariamente urna longa história, tanto no cenário da Psicanálise como no da Psiquiatria. A definiçäo neurótico que abarcou, por tanto tempo, a teoria e técnica psicanalíticas, baseava-se, em grande parte, em casos que hoje seriam chamados de borderlines. O termo borderline surgiu para designar fenômenos que näo eram nem completamente neuróticos nem psicóticos, mas devido à propensäo histórica, dos psiquiatras e psicanalistas, a considerarem a esquizofrenia como a forma principal de psicose, a síndrome borderline originalmente adquiriu um molde esquizofrênico. Hoje em dia, veríamos a síndrome borderline como tendo ligaçäo mais íntima com os distúrbios afetivos, particularmente a ciclotimia. É também de grande importância determinar a distinçäo entre personalidade borderline e estado borderline. O conceito do espectro limítrofe e-ou organizaçäo borderline näo säo outra coisa senäo variantes das especificações da primeira. Proponho ser a síndrorne borderline uma doença de regulaçäo do self de estados de deficiências psíquicas e psicossomáticas dos aspectos interpessoais, neuro-perceptivo-cognitivo e outros do paciente borderline que se combinam para fazê-lo sentir uma vergonha patológica, um grande embaraço por se sentir objeto constante de observaçäo e a experiência de näo ter base psíquica. O tratamento do self destes males consiste na vasta sintomatologia da síndrome borderline que atua como uma defesa maníaca contra eles ou um sistema de técnicas reguladoras do self para evitar estes buracos. Proponho que a gênese da síndrome borderline deva ser considerada dentro das perspectivas hereditária, congênita e alimentar. O teorema de duplo registro permite a consideraçäo de todas as fases de desenvolvimento, quais sejam, a autista, a simbiótica, e as quatro subfases de separaçäo-individuaçäo, e todas elas, creio, existem, em um grau ou outro, desde o início da vida. Além do mais, proponho que a síndrome borderline se inicia como resultado de uma falha em chegar a uma resoluçäo exitosa da neurose infantil elou possa ser devida ao desenvolvimento independente de uma psicose infantil secundária para uma reaçäo infantil catastrófica-depressäo infantil. Uma das principais características da sintomatologia do "borderline" é a presença de clivagens psíquicas, que podem ser ou polarizadas e em partes, ou interpenetrativas e em forma de conluio parasítico. Em última análise, a síndrome borderline representa uma falha na ligaçäo ou vínculo entre a criança e a mäe, cujas raízes podem ser encontradas na hereditariedade -depressäo endógena, etc. ou no ambiente uterino e-ou no sistema de suporte do self-objeto para a criança que inclui, näo somente sua mäe, mas também o sistema de suporte do self-objeto da mäe. Considerações para o tratamento de borderlines devem incluir näo somente a possibilidade de eventualmente ter um outro terapeuta que possa ocasionalmente ver o paciente em caráter consultivo, para avaliaçäo psicofarmacológica e dificuldades na conduta diária, mas também variedades de modelos técnicos psicanalíticos. Entre estes encontram-se a técnica clássica atualizada, que é baseada nos estágios precoces de desenvolvimento de Maffier, especialmente como foi modificada por Kernberg; a técnica da Psicologia do Self, que advoga a abordagem estritamente empática. O teorema de duplo registro permite o uso de interpretações de experiência próxima e experiência distante, sendo estas últimas freqüentamente necessárias para fazer face a resistências específicas
ISBN: 0486-641X

1. BORDERLINE
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